Viúva de presidente do Haiti diz a jornal dos EUA que os assassinos pensaram que ela estava morta

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Martine Moise (segunda da esquerda para a direita), viúva do presidente assassinado do Haiti, em 22 de julho de 2021 — Foto: Matias Delacroix/AP

Martine Moise (segunda da esquerda para a direita), viúva do presidente assassinado do Haiti, em 22 de julho de 2021 — Foto: Matias Delacroix/AP

Os assassinos do presidente Jovenel Moise, do Haiti, acharam que a viúva dele também estava morta e por isso não a executaram, disse Martine Moise em uma entrevista ao jornal “New York Times” publicada nesta sexta-feira (30).

 

 

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Ela relatou que estava com a boca cheia de sangue e seu cotovelo tinha sido atingido por balas, e que viu as botas dos assassinos no momento em que eles mataram Jovenel.

Na noite do atentado, ela e o marido estavam dormindo e foram acordados pelo som dos tiros. Martina correu para acordar os dois filhos e pediu a eles que se escondessem no banheiro, o que eles fizeram.

Jovenel pediu ajuda pelo telefone —ele ligou para os dois chefes da segurança presidencial, que responderam que estavam a caminho (hoje, os dois estão presos).

Os assassinos entraram com facilidade. Jovenel pediu para que Martine deitasse no chão e disse que assim ela estaria segura.

Entraram atirando

Os homens entraram no quarto atirando. Ela foi atingida primeiro. De acordo com Martine, eles não falavam as línguas do Haiti —a língua crioula e o francês. Os homens falavam espanhol, e se comunicavam com alguém pelo telefone.

 

 

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Martine contou que quando estava no chão, ouviu a conversa dos assassinos: eles procuravam um documento entre as pastas de seu marido. Falando em espanhol, os criminosos analisaram alguns dos papéis até acharem o que buscavam.

Um dos assassinos ainda apontou a lanterna para os olhos de Martine antes de ir embora. “Quando eles saíram, eles acharam que eu estava morta”, ela disse.

Rumo das investigações

Martine afirmou que considera que as investigações ainda não são conclusivas para determinar quem encomendou o assassinato de seu marido.

Alguns suspeitos já foram presos: 18 mercenários colombianos, um ex-juiz haitiano, dois membros da equipe de segurança de Jovenel Moise, um vendedor de armas e um vendedor de seguros que vivia na Flórida, nos EUA.

A polícia do Haiti afirma que o plano foi elaborado por um doutor e pastor chamado Christian Emmanuel Sanon. Ele teria se envolvido na contratação de mercenários da Colômbia para matar Jovenel Moise e tomar o poder.

Martine pode ser candidata

No entanto, Martine considera que Sanon e os outros que foram presos não teriam dinheiro suficiente para financiar a operação para matar Jovenel. “Só os oligarcas e o sistema poderiam matá-lo”, afirma.

Ela também diz ter dúvidas sobre o que aconteceu com os agentes de segurança da residência presidencial. Nenhum guarda foi ferido. “Não entendo como ninguém foi atingido”, diz ela.

Na entrevista, ela afirmou que está pensando em se candidatar à presidência.

 

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